O primeiro suplente de deputado federal pelo Distrito Federal, Capitão Davi (PL), fez uma escolha que, em política, raramente é neutra: decidiu não ficar na arquibancada. Até aqui, é o único suplente. Com sua equipe, integra a Caminhada pela Justiça e Liberdade, mobilização liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A pé, com destino a Brasília (DF), onde o grupo pretende chegar no domingo, 25 de janeiro de 2025. O gesto, embora simples na forma, carrega cálculo. Mesmo na condição de suplente, Capitão Davi trata a participação como obrigação política, não como favor circunstancial.
Nos bastidores do PL, a leitura é direta. A iniciativa pode sensibilizar parlamentares titulares a se licenciarem e abrir espaço para que o suplente assuma o mandato. A aposta é clara: oferecer a ele uma vitrine institucional para apresentar ao país o que já construiu à frente da Associação Brasileira de Educação Cívico-Militar (ABEMIL), especialmente na articulação para ampliar o número de escolas cívico-militares em todo o território nacional.
Para a direção do partido, sob o comando de Valdemar Costa Neto, trata-se de uma agenda que fala alto e sem intermediários à família brasileira, hoje um dos núcleos centrais da estratégia do PL. Em política, gestos não caminham sozinhos nem pedem licença para ser compreendidos. Eles anunciam intenções, organizam expectativas e, quando bem lidos, antecipam o próximo lance do jogo.
Mesmo que por um curto período, Capitão Davi, como parlamentar, pode ocupar esse espaço a partir do trabalho que desenvolve na educação cívico-militar, política impulsionada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL precisa ter algo concreto a dizer às famílias e, sobretudo, aos seus filhos. Educação, nesse contexto, não é adereço nem palavra de ocasião: é eixo estruturante do discurso.
redacao@colunapolitica.com.br
Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.

