O presidente do Tribunal de Contas, Manoel de Andrade, celebrou aniversário no início de setembro em clima de prestígio, cercado de amigos e assessores. Entre os presentes, destacou-se José Roberto Arruda, que retorna ao centro das atenções com a nova sobrevida política aberta pela aprovação do PLP 192/2023 no Senado, medida que devolve ao ex-governador a possibilidade de disputar as urnas em 2026.
Arruda não perdeu tempo. Publicou em sua conta no Instagram uma foto ao lado do senador Izalci Lucas (PL-DF), gesto interpretado como sinal de que está mais interessado no Buriti. A cena foi lida como movimento inicial de quem se prepara para voltar ao governo do DF, ainda que convites para disputar o Senado por uma legenda de peso também estejam sobre a mesa.
A política, contudo, não conhece a lógica, mas a conveniência. Uma fonte da própria base de Lula confessa que há espaço para Arruda disputar o GDF por um partido aliado ao governo federal. O ex-governador, calejado nas voltas do jogo, sabe que seu capital político não é moeda corrente, é trunfo. Com ele, examina o tabuleiro como um enxadrista paciente, movendo bispos e cavalos até encontrar a hora certa de aplicar o lance capaz de virar a partida.
É notório que o ex-governador jamais recuou de uma decisão, sobretudo quando se trata de escolhas políticas Tive a oportunidade de conversar com ele há alguns meses no Kopenhagen do Liberty Mall. Arruda sabe se manter em movimento e até a pressão o favorece, mantendo-o em xeque constante. Muitos recordam suas obras no DF e reconhecem que não tem o temperamento azedo de alguns políticos. Mesmo afastado, nunca viveu na solidão. Sua casa sempre esteve de portas abertas, um verdadeiro porto seguro para aliados e visitantes. Dessa mistura de pragmatismo e sociabilidade, Arruda parece extrair a energia necessária para tentar o xeque-mate no Buriti.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.
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