Coluna Política

Michelle prega união enquanto TSE barra deepfake contra Flávio Bolsonaro

Ronaldo Medeiros   -   25 de junho de 2026

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro entrou em cena nesta quinta-feira (25.6), pelas redes sociais, com uma mensagem calculada para dentro e para fora do bolsonarismo. Ao afirmar que não tem “raiva de ninguém” e pedir união entre aliados para “derrotar o atual desgoverno”, Michelle procurou ocupar um espaço que hoje vale ouro na direita: o de fator de agregação.

A fala não ocorre no vazio. O campo bolsonarista chega à pré-campanha de 2026 pressionado por disputas internas, vaidades regionais, cálculos partidários e pela necessidade de definir quem terá legitimidade para carregar o espólio político de Jair Bolsonaro nas urnas. Nesse tabuleiro, Michelle aparece menos como personagem lateral e mais como peça de articulação simbólica, capaz de falar diretamente à base sem passar pelos filtros tradicionais da política.

Enquanto Michelle tentava organizar o discurso da unidade, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu retirar do ar uma publicação que associava o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por meio de uma imagem considerada falsa.

A suposta fotografia, segundo a representação apresentada pelo PL, apresentava sinais de manipulação digital e características compatíveis com material produzido por inteligência artificial. Em outras palavras, um deepfake. Não se trata apenas de uma montagem de rede social, mas de um sintoma do novo ambiente eleitoral: a política brasileira entrou definitivamente na era em que a mentira pode vir com aparência de prova.

O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, entendeu que o conteúdo ultrapassava os limites da crítica política e entrava no campo da desinformação. Liberdade de expressão, afinal, não protege a fabricação de fatos, sobretudo quando há potencial de influência sobre a percepção do eleitorado.

Os dois movimentos, embora distintos, se encontram no mesmo ponto: a disputa pelo controle da narrativa. De um lado, Michelle tenta disciplinar o campo político aliado e evitar que fissuras internas virem munição para adversários. De outro, o TSE sinaliza que a campanha digital de 2026 terá vigilância redobrada contra fraudes produzidas por inteligência artificial.

A pré-campanha ainda está em aquecimento, mas o roteiro já se anuncia duro. O bolsonarismo tenta se reorganizar, a Justiça Eleitoral se prepara para enfrentar a tecnologia da falsificação e os adversários observam cada movimento. Em 2026, não bastará disputar votos. Será preciso disputar a própria realidade.

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