Gilberto Kassab não faz política para agradar analista. Faz para vencer espaço. E decidiu.
O PSD, que adorava a confortável ambiguidade, resolveu sair do armário político. Lançou Ronaldo Caiado e, com isso, parou de fingir que era tudo ao mesmo tempo. Agora é uma coisa só. E isso, em Brasília, já é quase uma revolução.
Eduardo Leite apareceu com o roteiro clássico. Disse que está “desencantado”. É a palavra preferida de quem perde a disputa interna, mas não quer admitir. Fica elegante, não cria ruptura e ainda preserva o futuro.
Só que política não é terapia. É disputa de poder.
O que Kassab fez foi simples. Olhou o cenário, viu a polarização consolidada e entendeu que ficar no meio do caminho é desaparecer devagar. Escolheu um rumo. E quem escolhe primeiro costuma ditar o ritmo.
Enquanto isso, o tal centro segue como sempre. Muito citado, pouco materializado. Um conceito bonito que rende entrevista, mas raramente rende votos.
Caiado entra como tentativa de dar corpo a esse espaço. Com discurso mais firme, menos preocupado em agradar todos os lados. Pode funcionar ou não. Porém, ao menos, é uma jogada concreta.

