Com o acirramento da guerra tarifária imposta por Donald Trump, cresce no Planalto a avaliação de que o vice-presidente Geraldo Alckmin precisa largar a cadeira de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e assumir de forma exclusiva a linha de frente das negociações com Washington.
A relação institucional direta entre Alckmin e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, é vista como ativo estratégico que não pode ser desperdiçado em meio à tensão comercial. No governo, há quem sustente que a diplomacia com a Casa Branca não pode ser conduzida como acúmulo de cargo, mas exige a presença do vice-presidente brasileiro em igualdade de condições com sua contraparte americana.
A crítica ganhou força depois que Eduardo Bolsonaro, em viagem a Washington, se antecipou a reuniões oficiais, alimentando ruídos em torno do protagonismo brasileiro nas tratativas. Até aqui, Alckmin tem se desdobrado entre as agendas industriais e a tentativa de conter o tarifaço de 50%, porém aliados admitem que a equação exige dedicação integral e o peso político do cargo de vice-presidente, não apenas de ministro.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com mais de 25 anos de atuação na imprensa e na análise institucional. Foi consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, protagonizou a Consulta 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e impulsionou a Emenda Constitucional nº 52/2006, fortalecendo a autonomia partidária no Brasil.

