Forjado nos embates mais duros da história recente do Maranhão, o médico ZeLuis Lago — irmão do ex-governador Jackson Lago — rompe o silêncio e anuncia sua pré-candidatura ao Senado Federal.
Médico de formação, com pós-graduação em Radiologia e em Política e Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), ZeLuis traz no discurso a marca de quem viu de perto a luta pela transformação do estado ser atropelada pelo sistema. Testemunha da eleição histórica e da injusta cassação de Jackson Lago em 2009, ZeLuis carrega a memória viva de quem não apenas resistiu, mas amadureceu dentro da resistência.
Nesta entrevista exclusiva, ZeLuis Lago (DC-MA) relembra os caminhos da resistência, denuncia os erros que mantêm o Maranhão prisioneiro do atraso e apresenta seu projeto de desenvolvimento para o estado.
A entrevista foi concedida poucas horas após sua participação no 1º Encontro 2025 da Democracia Cristã, organizado pelo presidente do Distrito Federal, Dr. Oscar Silva, e realizado na Câmara Legislativa do Distrito Federal, no último sábado, 26 de abril.
O evento reuniu lideranças nacionais e estaduais, com a presença de presidentes da Democracia Cristã de Ceará, Alagoas, São Paulo, Sergipe, Distrito Federal e Paraná, além da participação do Presidente Nacional da Democracia Cristã, Deputado Federal Constituinte José Maria Eymael, que celebrou as conquistas da legenda e traçou as estratégias para os desafios eleitorais de 2026.
Em um ato carregado de liberdade e força, ZeLuis Lago não apenas prestigiou o reencontro de líderes: comunicou sua pré-candidatura ao Senado pelo Maranhão, diante dos dirigentes partidários nacionais presentes ao evento, após também fazê-lo em seu estado, reacendendo com vigor a chama da renovação e desafiando as velhas estruturas do poder maranhense.
Entrevista:
COLUNA POLÍTICA: Quem é ZeLuis Lago e o que o senhor representa neste novo momento do Maranhão?
ZELUIS LAGO: Represento uma geração que aprendeu a lutar antes mesmo de aprender a vencer. Vi meu irmão Jackson Lago desafiar os poderosos quando poucos ousavam sonhar. Acompanhei sua trajetória com a consciência de que cada pequeno avanço era fruto de muito suor e, muitas vezes, de lágrimas. Sou médico, formado e pós-graduado, mas acima de tudo, sou um homem que acredita que o Maranhão merece escrever sua história com as próprias mãos. Hoje, carrego não apenas o meu nome, mas a memória de uma luta que não pode ser esquecida. Meu compromisso é com a verdade, com o povo e com o futuro.
COLUNA POLÍTICA: Como o senhor define a marca que a família Lago deixou na política maranhense?
ZELUIS LAGO: A nossa marca é a do enfrentamento, mas também a da esperança. Jackson Lago mostrou que era possível fazer política sem se ajoelhar, sem se vender, sem trair princípios. Pagou caro por isso. A família Lago não construiu castelos nem herdou privilégios. Construímos confiança, pedra por pedra, no coração do povo. E mesmo quando tentaram nos apagar, a semente que plantamos continuou germinando, em cada jovem que ainda acredita que o Maranhão pode ser muito maior do que deixaram que fosse.
COLUNA POLÍTICA: O senhor acompanhou de perto a cassação de Jackson Lago. Como aquele momento o marcou?
ZELUIS LAGO: Foi uma ferida profunda, que nunca cicatrizou por completo. Eu estava lá. Vi a alegria do povo ao eleger Jackson. Vi a esperança renascer em cada rosto. E depois, vi a traição ser oficializada nos tribunais. Jackson foi retirado não porque tivesse errado, mas porque ousou acertar. Aquela cassação foi a prova de que, no Maranhão, quem desafia o sistema precisa estar preparado para tudo, inclusive para a injustiça. Mas também foi um ensinamento: mostrou que nossas lutas são maiores do que os cargos e que a história é escrita pelos que resistem.
COLUNA POLÍTICA: Como o senhor vê a iniciativa do Projeto de Lei que busca conceder anistia simbólica a Jackson Lago e Luiz Carlos Porto?
ZELUIS LAGO: Vejo com a seriedade e o peso que ela merece. O que foi feito contra Jackson Lago não foi apenas uma injustiça pessoal — foi uma violência contra a vontade soberana do povo maranhense. O reconhecimento, mesmo que simbólico, corrige uma parte dessa chaga aberta em nossa história. Jackson venceu nas urnas de forma limpa, enfrentando o que parecia imbatível, e foi arrancado do governo por um artifício jurídico que o próprio TSE, anos depois, reconheceu como inconstitucional. A anistia é um gesto que dignifica sua memória e afirma, para as futuras gerações, que lutar pelo Maranhão vale a pena.
COLUNA POLÍTICA: Por que o senhor decidiu se lançar como pré-candidato ao Senado em 2026?
ZELUIS LAGO: Porque acredito que não basta apenas lembrar a luta; é preciso dar continuidade a ela. O Maranhão precisa mais do que memórias: precisa de ação, de coragem, de quem conheça as feridas do estado, mas também enxergue suas imensas possibilidades. Minha pré-candidatura é um chamado. Não é projeto pessoal. É dever histórico. Não podemos deixar que a geração que lutou tanto veja tudo se perder. É hora de dar voz à indignação e transformar a dor em força para construir um Maranhão que finalmente pertença ao seu povo.
COLUNA POLÍTICA: Quais são suas principais propostas para mudar a realidade do Maranhão?
ZELUIS LAGO: Primeiro, industrializar de forma inteligente e planejada. Não podemos mais aceitar exportar apenas matéria-prima e importar pobreza. Temos que criar um pólo minero-metalúrgico no Porto do Itaqui, exportando ferro processado, aço, vigas, gerando milhares de empregos aqui. Segundo, transformar a Base de Alcântara em um polo aeronáutico de alta tecnologia. Podemos produzir aeronaves, formar técnicos, inserir o Maranhão na economia global da inovação. E terceiro, descentralizar o desenvolvimento, criando polos industriais regionais, respeitando a vocação de cada pedaço do nosso chão. O interior precisa respirar desenvolvimento para que nossos jovens tenham futuro onde nasceram.
COLUNA POLÍTICA: O senhor acredita que a Base de Alcântara pode transformar o Maranhão?
ZELUIS LAGO: Sem dúvida. Alcântara é a nossa jóia escondida. Enquanto outros países investem em tecnologia para se libertar da pobreza, nós temos em nossas mãos uma base aeroespacial de valor estratégico internacional. Com um projeto sério, poderemos transformar Alcântara em um centro de excelência tecnológica, produzindo aeronaves agrícolas, jatos, equipamentos de ponta. É a chance de criar riqueza de verdade, de formar jovens engenheiros, técnicos, inovadores. Alcântara pode ser o símbolo de um novo Maranhão: forte, respeitado e soberano.
COLUNA POLÍTICA: Como o senhor avalia a situação social do Maranhão hoje?
ZELUIS LAGO: Dolorosa. O Maranhão continua preso entre a esperança e o abandono. Somos ricos em recursos naturais, mas pobres em oportunidades. Isso não é destino, é projeto. Foi conveniente para muitos manter o estado assim, para perpetuar o controle sobre um povo desesperado. Mas isso pode e deve ser rompido. A chave é investir em educação de qualidade, em tecnologia e em emprego industrial. É transformar nosso potencial em realidade concreta, que melhore a vida de quem trabalha e sonha.
COLUNA POLÍTICA: Que mensagem o senhor deixa ao povo maranhense?
ZELUIS LAGO: Não esqueçam quem vocês são. Somos herdeiros de uma história de resistência, de dignidade e de coragem. Jackson Lago provou que era possível quebrar as correntes do atraso. Agora é a nossa vez. Vamos honrar os que lutaram antes de nós. Vamos construir um Maranhão onde nossos jovens tenham orgulho de viver, onde nossos pais e avós sejam respeitados, onde nosso suor construa prosperidade, não submissão. O Maranhão tem tudo para ser grande. Só falta um passo: acreditar. E agir.
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