O lançamento da pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência, neste sábado, 16 de agosto, não é apenas um movimento eleitoral. É, sobretudo, um sintoma de como o Brasil vive um momento de fadiga política e busca por alternativas que escapem do eterno embate entre Lula e Bolsonaro.
Zema projeta sua história como outsider em 2018, quando chegou ao governo de Minas Gerais contra todas as probabilidades, como narrativa de autenticidade e eficiência. Ele fala de contas equilibradas, servidores pagos em dia e empregos recuperados. Mas, ao mesmo tempo, constrói uma crítica severa ao que considera a repetição dos erros que levaram o país à estagnação: corrupção, censura e o avanço do crime organizado.
O que está em jogo, no entanto, é maior que o destino de um candidato. É a tentativa de criar um novo polo político em um Brasil exausto de sua polarização tóxica, mas ainda incapaz de escapar dela. Zema se coloca como o gestor contra a velha política, mas terá de enfrentar a difícil prova de transformar o êxito administrativo mineiro em projeto nacional viável.
Agora, após o lançamento, Zema precisa voar para o Nordeste. Uma caravana pela região, onde sua presença ainda é incipiente, pode ser o passo decisivo para ganhar densidade nacional. É um movimento que Ronaldo Caiado, presidenciável do União Brasil, não conseguiu realizar com consistência e que pode explicar parte das limitações de sua projeção no cenário federal.
Seus aliados acreditam que há espaço para um terceiro caminho. O desafio é saber se, diante da paixão e da raiva que estruturam a política brasileira contemporânea, um discurso de pragmatismo e boa gestão consegue sobreviver ao barulho das trincheiras ideológicas.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com mais de 25 anos de atuação na imprensa e na análise institucional. Foi consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, protagonizou a Consulta 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e impulsionou a Emenda Constitucional nº 52/2006, fortalecendo a autonomia partidária no Brasil.

