No início de junho, o Bradesco passou a operar, com discrição milimetricamente calculada, uma nova linha de crédito lastreada no Fundo Garantidor BNDES-Sebrae. A promessa era ambiciosa: inclusão financeira para micro e pequenos empresários. Mas, por enquanto, o que se vê é um filme velho com figurino novo.
O fundo — com potencial de alavancar R$ 9,4 bilhões — foi apresentado como divisor de águas. Só que a água, até agora, não molhou a sola de quem mais precisa. O dinheiro permanece onde costuma estar: nos slides bem-feitos, nos discursos animados, nas planilhas coloridas. Mas não nas padarias, armarinhos, salões e comércios que sustentam a base da economia brasileira.
Um detalhe que passou quase em silêncio: apenas o Bradesco está operando a linha. Só ele. O restante do sistema bancário — Itaú, Santander e outros — observa de longe. Nenhum cronograma. Nenhuma previsão de entrada. Nenhuma justificativa clara. O que deveria ser uma política pública com capilaridade virou um monólogo bancário com plateia cativa e luz de camarim.
Enquanto isso, a burocracia continua jogando contra. Os critérios de acesso seguem pouco amistosos para quem já vive com a corda no pescoço. O crédito, anunciado como oxigênio para o pequeno negócio, chega com o peso de um cofre de chumbo — e sem chave.
No Planalto, torcem para que funcione. No BNDES, vendem otimismo. No Sebrae, repetem o mantra da inclusão. Mas no país real, o pequeno empreendedor segue à espera. À espera de que o crédito prometido um dia chegue de verdade — e não apenas ao mesmo salão VIP de sempre.
redacao@colunapolitica.com.br

