Coluna Política

Contra o abandono institucional, Chico Rodrigues levanta a voz pelos diabéticos

Ronaldo Medeiros   -   3 de maio de 2025

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No silêncio que toma conta das filas do SUS, nos corredores estreitos das UPA’s, nas madrugadas de mães que medem a glicemia de seus filhos com lágrimas nos olhos, uma esperança reacende no Congresso Nacional. O senador Chico Rodrigues, representante de Roraima e também da dor compartilhada por milhões de brasileiros, ergue a voz contra o veto 4/2025, imposto ao Projeto de Lei 2687/22, que reconhece o diabetes mellitus como uma deficiência.

Não é um gesto isolado. É uma tomada de posição que carrega peso histórico, político e pessoal. O projeto, aprovado pelo Congresso, garantiria direitos e proteção a mais de 600 mil brasileiros, entre eles 92.300 crianças e adolescentes diagnosticados com diabetes tipo 1 — uma doença cruel, que não dá trégua, que não escolhe hora nem lugar para ceifar qualidade de vida. E quando não mata, incapacita. Arranca da vida ativa, do mercado de trabalho e da infância plena.

Mesmo assim, o Poder Executivo vetou a proposta. E foi nesse instante que o senador Chico Rodrigues decidiu não se calar. Sabedor do que é conviver com o diabetes — porque sente na própria pele o peso da doença — ele não apenas anunciou o voto pela derrubada do veto. Ele assumiu a responsabilidade de liderar a articulação pela sua rejeição, tornando público, em suas redes sociais, seu compromisso com essa luta coletiva. Em postagem no Instagram, marcando o Instituto Diabetes Brasil, disse:

“Como senador de Roraima e do Brasil, torno público que votarei pela derrubada do veto. Sei na pele o que é ser diabético e conheço a dor da minha gente, que enfrenta esse desafio, assim como eu, e que pesa ainda mais para as famílias mais humildes de Roraima e do Brasil.”

Suas palavras ecoam além do plenário. Elas tocam lares, ambulatórios, escolas e pequenos postos de saúde, onde pacientes se equilibram entre a falta de insulina, a insegurança alimentar e o abandono institucional.

A atitude de Chico Rodrigues não é só política. É um ato de coragem e justiça social. É o reconhecimento de que o Congresso não pode virar as costas para os mais frágeis. Que, neste veto, o que está em jogo não é apenas um texto legal — mas a possibilidade de oferecer dignidade àqueles que todos os dias enfrentam o invisível e o incurável.

Agora, a história está nas mãos dos parlamentares. Cada voto será uma linha escrita no capítulo da dignidade ou da omissão. O Brasil dos invisíveis espera — e lembra.

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