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Coluna Política

Zé Humberto pode levar impasse do MDB ao plano nacional

Ronaldo Medeiros   -   24 de junho de 2026

O impasse aberto no MDB do Distrito Federal pode deixar de ser apenas uma disputa regional e subir para outro andar da política.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que uma eventual solução para o quadro não passará apenas pelo diretório local. A costura, se avançar, terá de envolver personagens com peso nacional: Baleia Rossi, presidente nacional do MDB; Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD; e José Humberto Pires de Araújo, o Zé Humberto, ex-secretário de Governo do Distrito Federal e hoje uma das peças mais observadas do tabuleiro emedebista.

A razão é política. O MDB local se move para preservar a aliança com o grupo do Buriti, especialmente em torno da sustentação à governadora Celina Leão e da pré-candidatura de Ibaneis Rocha ao Senado. Ao mesmo tempo, o PSD de Kassab abriga o projeto de José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal.

É nesse cenário que Zé Humberto ganha importância.

Ex-secretário de Governo desde o primeiro mandato de Ibaneis, empresário com forte presença no setor supermercadista e articulador com passagem por diferentes ciclos de poder no DF, Zé Humberto não é visto apenas como pré-candidato a deputado federal. Para setores da política local, seu nome passou a ser tratado como peça de composição majoritária.

Uma conversa entre Baleia Rossi, Zé Humberto e Gilberto Kassab teria, portanto, outro significado. Não seria apenas uma tentativa de acomodar interesses partidários. Seria uma negociação sobre o lugar do MDB no desenho eleitoral de 2026 e sobre a possibilidade de uma ponte com o projeto liderado por Arruda no PSD.

Nesse cenário, Zé Humberto aparece como ativo político capaz de dialogar com os dois mundos: o MDB de Ibaneis e Baleia, de um lado; e o PSD de Kassab e Arruda, de outro.

A hipótese que circula é objetiva: se houver espaço para uma composição mais ampla, Zé Humberto poderia deixar a condição de candidato proporcional e entrar no debate majoritário, inclusive como alternativa para a vice em uma eventual chapa de Arruda.

Nada está fechado. Mas a simples circulação desse desenho mostra que o nome de Zé Humberto ultrapassou os limites da disputa interna do MDB no DF.

Na política, há momentos em que o problema regional só se resolve quando vira conversa nacional. O caso do MDB no Distrito Federal pode estar chegando exatamente a esse ponto.