O debate sobre data centers e inteligência artificial deixou de ser assunto restrito ao setor de tecnologia. Tornou-se tema de soberania econômica, competitividade internacional e capacidade de planejamento de longo prazo. É nesse contexto que o artigo publicado por Mauro Souza no LinkedIn lança um alerta direto: o Brasil corre o risco de desperdiçar uma oportunidade estratégica com o impasse em torno do REDATA.
Criado para transformar o país em polo global de infraestrutura digital, o REDATA previa incentivos tributários voltados à atração de investimentos em data centers, computação em nuvem e inteligência artificial. O problema é que a medida provisória que instituiu o regime perdeu validade, enquanto o projeto de lei substitutivo ainda aguarda deliberação no Senado.
Para Mauro Souza, o atraso legislativo pode custar caro. Em um mercado global altamente competitivo, decisões de investimento seguem previsibilidade regulatória, segurança jurídica e ambiente tributário favorável. Sem isso, grupos internacionais tendem a direcionar seus projetos para países mais preparados.
O artigo destaca que o Brasil reúne vantagens reais: matriz energética limpa, mercado consumidor robusto e posição geográfica relevante. Ainda assim, esses ativos não bastam sem uma política pública clara e estável.
Na avaliação do autor, países como Chile, Estados Unidos, China e Índia avançam rapidamente na construção de ecossistemas digitais capazes de atrair grandes operadores globais. Enquanto isso, o Brasil corre o risco de permanecer apenas como consumidor de tecnologia, sem capturar empregos qualificados, inovação e protagonismo estratégico.
O texto também apresenta propostas para fortalecer o projeto, entre elas estabilidade regulatória de longo prazo, estímulo a startups nacionais, reinvestimento em pesquisa e desenvolvimento e ampliação dos incentivos para software, nuvem e soluções voltadas ao treinamento de modelos de IA.
Mais do que discutir tributos, a reflexão de Mauro Souza trata de projeto nacional. Na economia digital, infraestrutura é poder.
Vale a leitura integral do artigo de Mauro Souza, publicado no LinkedIn.
Quem é Mauro Souza
Mauro Souza é engenheiro elétrico, com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações. Foi gestor do SERPRO e diretor de tecnologia no STJ, STF e Presidência da República. Presidiu o Conselho de Modernização dos Correios e atuou como executivo em empresas nacionais e multinacionais.
Atualmente, é sócio fundador e CEO da Quantum Tecnologia, sócio e CEO da BX Analytics, CEO da JX Tecnologia e IA e diretor da Regional Brasília da FUNCEX.
Autor do livro Política de Tecnologia da Informação no Brasil: um Caminho para o Século XXI, foi professor de pós-graduação da Universidade Católica de Brasília e eleito IT Leader pelo International Data Group. Também integrou colegiados estratégicos do Governo Federal voltados à política de tecnologia da informação e segurança da informação.