O Tribunal de Contas da União resolveu investigar algo elementar: como o governo federal administra seus próprios dados. O resultado é um retrato pouco lisonjeiro da máquina pública.
A auditoria passou pelo IBGE, pelo BNDES, pela Agência Nacional de Telecomunicações, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Em todos eles apareceram falhas na gestão de dados.
Faltam regras claras, estruturas de decisão e responsáveis definidos. Em pleno discurso de transformação digital, o Estado ainda administra informações estratégicas com improviso burocrático.
A ironia maior está no sistema usado para medir a própria maturidade digital. O modelo depende basicamente de autoavaliação. Em outras palavras, os órgãos dão nota para si mesmos.
O resultado é previsível. No papel, a máquina pública parece organizada. Na realidade, continua perdida entre planilhas, departamentos isolados e responsabilidades difusas.
Relator do caso, o ministro Augusto Nardes recomendou ajustes. O problema, porém, é mais profundo. O governo fala em inteligência artificial, governo digital e economia de dados, mas ainda não conseguiu resolver o mais elementar da administração: saber governar as próprias informações.