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Coluna Política

EUA dão passo decisivo sobre as terras raras do Brasil

Ronaldo Nóbrega  -   9 de fevereiro de 2026

Washington sempre foi vitrine de poder. Não se vai à capital americana apenas para conversar. Deslocar-se para ser medido. Foi nesse cenário que Ronaldo Caiado apareceu na última quarta feira, 4 de fevereiro de 2026, representando Goiás, um Estado que deixou de ser figurante e passou a ocupar posição sensível no tabuleiro global.

Caiado é governador de Goiás e filiado ao PSD. Um detalhe político que pesa. No governo de Lula, o Ministério de Minas e Energia é comandado por Alexandre Silveira, também do PSD. Coincidência partidária que ajuda a explicar por que o subsolo goiano entrou de vez no radar estratégico.

O ponto central é simples. Goiás abriga a única mina de terras raras hoje em operação no Brasil. Em um mundo obcecado por segurança de suprimentos, tecnologia de ponta e transição energética, isso não é curiosidade geológica nem nota de rodapé. É ativo geopolítico.

No centro dessa engrenagem está a Serra Verde Pesquisa e Mineração. Única produtora em larga escala de terras raras pesadas críticas fora da Ásia, a empresa entrou definitivamente no radar estratégico dos Estados Unidos. A prova concreta veio com o financiamento de 565 milhões de dólares firmado com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, acompanhado de uma opção que permite ao governo americano adquirir participação acionária minoritária.

Não se trata de financiamento neutro. É sinal político, econômico e geopolítico. Washington não coloca dinheiro público nem abre espaço para participação societária sem enxergar valor estratégico de longo prazo. Terras raras, hoje, sustentam setores que definem poder. Defesa, aeroespacial, energia limpa, veículos elétricos, robótica, eletrônicos avançados. Quem domina esses insumos não lidera apenas mercados. Lidera decisões.

Enquanto Caiado falava em avaliação mineral e aquífera do subsolo goiano, o mundo escutava outra mensagem. Capacidade instalada. Produção real. Segurança de fornecimento fora do eixo asiático. Linguagem técnica na superfície, conteúdo político no fundo.

A base concreta desse discurso está em Minaçu, no norte goiano. É ali que a Serra Verde produz disprósio, térbio e outros elementos críticos em escala industrial. Nomes pouco familiares, porém, absolutamente centrais para qualquer país que pretenda disputar o futuro.

O ano de 2026 começou muito bem para a empresa e para Goiás. O financiamento americano garante fôlego, amplia capacidade produtiva e reforça a posição da Serra Verde como elo estratégico nas cadeias globais. Ao mesmo tempo, projeta o Estado brasileiro no centro de um debate que mistura economia, soberania e poder duro.

No fim das contas, a presença de Caiado em Washington e o avanço da Serra Verde fazem parte da mesma equação. Subsolo virou política externa. Mineração virou geopolítica. E, quando Washington presta atenção, é porque o jogo deixou de ser regional.