Com a velha astúcia dos que conhecem o mapa do poder, Eduardo Cunha voltou ao tabuleiro nacional mirando Minas Gerais. Em vídeo divulgado nesta segunda feira, (19.jan.2026), evocou a máxima tantas vezes repetida nos salões de Brasília. Quem vence em Minas, vence no Brasil. Não como frase de efeito, mas como método.
Cunha fez a conta eleitoral com frieza. Minas tem peso, diversidade e capilaridade. Reúne extremos regionais, fronteiras múltiplas e um eleitorado que costuma antecipar humores nacionais. Na política real, essa equação nunca foi detalhe. Sempre foi estratégia.
O ex-deputado também escolheu adversários no passado. Atribuiu a perda de protagonismo mineiro a decisões administrativas que, segundo ele, estrangularam os municípios e corroeram a presença do estado no debate nacional. O período do governo de Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018, foi citado como exemplo de escolhas que resultaram em atrasos de repasses e enfraquecimento da máquina pública, inclusive no pagamento da cota do ICMS.
Não há ingenuidade no discurso. Ao falar de Minas, Cunha fala do Brasil. Ao falar do passado, tenta redesenhar o futuro. É a lógica dos que sabem que eleição não se vence apenas com carisma ou discurso moralizante, porém, com leitura precisa do território onde o voto se forma.
Na tradição da política brasileira, Minas segue sendo mais que um estado. É campo de prova. Quem ignora esse dado costuma aprender tarde demais. Quem o utiliza, joga para ganhar.