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Coluna Política

Brasil avança no turismo chinês

Ronaldo Nóbrega  -   7 de janeiro de 2026

O crescimento de 34% no número de turistas chineses no Brasil em 2025 não é apenas um dado animador para o setor. É um sinal político, econômico e estratégico de que o país começa a entender, ainda que tardiamente, onde está o centro de gravidade do mundo.

Ao atingir 94,4 mil visitantes entre janeiro e novembro, superando não só o mesmo período de 2024 como todo o volume do ano passado, o Brasil colhe resultados de uma escolha clara: voltar a olhar para a Ásia com método, presença e continuidade. Não se trata de acaso, nem de um surto passageiro de interesse. Há planejamento por trás.

A Embratur decidiu competir onde o jogo é duro. Retornou à ITB China, uma das vitrines mais relevantes do turismo global, e lançou uma plataforma em mandarim para formar agentes locais. Isso revela compreensão básica, mas essencial: não se vende destino sem intermediário treinado, nem se conquista mercado ignorando idioma e cultura.

O movimento ganha densidade política quando se projeta para 2026, oficialmente declarado Ano da Cultura Brasil China. A coordenação entre Casa Civil, Ministério da Cultura e Itamaraty indica que o turismo começa a ser tratado como instrumento de política externa, algo comum em países que levam soft power a sério.

As ações de marketing digital e as parcerias com conglomerados de tecnologia de viagens mostram outro aprendizado tardio: hoje, visibilidade internacional passa menos por folhetos e mais por algoritmos. Escritório de relações públicas na China, press trips cuidadosamente desenhadas e acordos para ampliar presença digital não são luxo, são pré-requisitos.

Resta saber se o Brasil conseguirá sustentar essa estratégia sem a tradicional tentação do improviso. O turista chinês que chega em maior número é, ao mesmo tempo, oportunidade econômica e teste de maturidade institucional. Crescer é fácil. Difícil é transformar números em política de Estado e visitantes em relação duradoura.

redacao@colunapolitica.com.br

Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.