Na Bahia, títulos de cidadania não são apenas gestos protocolares: são selos de pertencimento. A Assembleia Legislativa entregou (26.set.2025) a Augusto César Gouveia Correia Lima, diretor do Grupo Bandeirantes, o Título de Cidadão Baiano. A frase de abertura dele – “Deus me livre de não ser baiano” – foi mais do que humor. Soou como rito de passagem, a confirmação de que quem vive e comunica a Bahia acaba inevitavelmente adotado por ela.
A cena política baiana, sempre marcada pelo simbolismo das solenidades, se reuniu em peso no plenário. Deputados, secretários e representantes da imprensa dividiram espaço com familiares, transformando a cerimônia em um ato de reconhecimento coletivo. É nesse ambiente que a comunicação ganha seu papel político: Augusto Correia Lima, paraibano de origem, construiu uma trajetória que passou por Diários Associados, Sistema Correio e, já no Grupo Bandeirantes, consolidou um projeto de regionalização que deu voz às pautas da Bahia e do Nordeste.
O deputado Niltinho, autor da proposta, destacou o “dendê que já corria nas veias do homenageado”. Mais do que metáfora, a frase reflete o jogo de identidade que atravessa a política baiana: ser da terra não depende apenas da certidão de nascimento, mas da adesão cultural, da capacidade de compreender e amplificar o que é próprio da Bahia.
No fundo, o título dado a Augusto Lima é também uma leitura sobre os tempos atuais da comunicação. A Band, ao expandir sua rede no estado, buscou um perfil que unisse técnica, gestão e sensibilidade cultural. Augusto Correia Lima se encaixou nesse desenho, e o Legislativo reconheceu isso. Assim, a outorga ultrapassa o gesto simbólico e entra no campo estratégico: a política baiana sabe que, sem mídia forte e regionalizada, a narrativa local se perde no ruído nacional.

No discurso emocionado, Lima agradeceu a honra como quem sabe que ser “cidadão baiano” é assumir responsabilidade. Não apenas celebrar a terra que o acolheu, mas ser ponte entre ela e o país. É esse o fio que une a comunicação à política: ambos lidam com símbolos, pertencimento e identidade. E ambos sabem que, na Bahia, isso vale mais do que qualquer estatística.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.