Brasília virou fábrica de pólvora legislativa. A Comissão de Segurança Pública aprovou o PL 2395/24, que abre a porteira para policiais militares e bombeiros da ativa e da reserva comprarem armas com o mesmo cardápio do Exército. Não é pouca coisa: seis armas no total, cinco delas de uso restrito, fuzis incluídos. Hoje a lei limita a quatro, com apenas duas de uso pesado.
O relator Sargento Gonçalves (PL-RN) não quis meia munição. Metralhou o texto original com uma emenda: não basta equiparar em número, é preciso equiparar também nas características técnicas. Tradução: se o Exército pode comprar fuzil, o PM também pode.
O deputado justificou com o argumento de sempre. A vida policial não termina no ponto do expediente, o inimigo não bate cartão e o crime organizado não tira férias. O discurso é de valorização, mas soa também como institucionalização da autodefesa permanente.
Agora a proposta vai para a CCJ. Depois precisará cruzar a pista escorregadia da Câmara e do Senado. A pergunta é simples: o Congresso quer nivelar as polícias estaduais ao Exército no gatilho e no calibre?
Esse tipo de movimento mostra como a fronteira entre a segurança pública e a lógica militar vai ficando cada vez mais borrada. Hoje são fuzis, amanhã talvez blindados. É a velha história: quando o Estado falha em garantir segurança, a solução que sobra é sempre mais chumbo.