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Coluna Política

Base de Azevêdo, sustentada por Lula, naufraga com Coutinho

Ronaldo Nóbrega  -   8 de setembro de 2025

Na Paraíba, Ricardo Coutinho surge como o único político capaz de tensionar a relação de Lula com o governador João Azevêdo (PSB). O socialista não pode mais disputar a reeleição em 2026 e sonha com uma cadeira no Senado. Para manter o poder estadual, tenta emplacar o vice-governador Lucas Ribeiro, do PP, como seu herdeiro político.

Coutinho, agora pré-candidato a deputado federal pelo PT, recusa qualquer aproximação com Azevêdo, ainda que fosse um pedido pessoal de Lula. Ao carimbar o governador como alguém de caráter duvidoso, mina as pontes que o Planalto gostaria de construir para manter a Paraíba em um arco coeso de alianças.

O dilema é claro. De um lado, Azevêdo aposta no Senado e no projeto de Lucas Ribeiro para a sucessão. De outro, Coutinho mantém vivo um capital político que pode atrapalhar a engrenagem governista. Lula fica no centro do impasse, obrigado a equilibrar apoios entre a máquina estadual e a popularidade ainda ruidosa do ex-governador.

Na prática, só Coutinho tem a capacidade de deslocar Lula do campo de Azevêdo e introduzir fissuras em um tabuleiro que parecia controlado.

redacao@colunapolitica.com.br

Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.