Após a nota “O voo sem comandante na política paraibana”, esta coluna abre espaço para um contraponto de peso. Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde e hoje comandante do PL na Paraíba, oferece ao leitor uma análise que não é mera opinião: é peça de estratégia.
Em seu artigo “Paraíba em busca de um líder capaz de promover o desenvolvimento econômico e social”, Queiroga traça um retrato incômodo. O estado, que já teve figuras de apelo popular como Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho, chega a 2026 órfão de líderes com carisma. O que resta é uma arena de caciques do centrão, sustentados mais por emendas do que por votos espontâneos.
Para Queiroga, o embate se resume a três nomes: Cícero Lucena, reincidente em velhos métodos; Lucas Ribeiro, herdeiro sem musculatura; e Efraim Filho, um senador que contrariou as previsões em 2022 e agora se oferece como a promessa de alternância. Aqui, o ex-ministro não disfarça: coloca o PL no centro do jogo e apresenta Efraim como a aposta mais consistente.
Há ainda a nota de Michelle Bolsonaro, que avalizou as pré-candidaturas da legenda e mira com precisão o eleitorado feminino, maioria absoluta nas urnas. Um gesto calculado, que carrega mais peso político do que muitos discursos de palanque.
Assim se arma o tabuleiro. A velha política resiste, a sucessão oficial patina e o PL, embalado pelo bolsonarismo, quer impor seu caminho. A Paraíba, mais uma vez, será palco de uma escolha que pode selar passado, presente e futuro.
A seguir, o artigo na íntegra.
"Paraíba em busca de um líder capaz de promover o desenvolvimento econômico e social
por Marcelo Queiroga
As eleições na Paraíba sempre foram acirradas, decididas, em sua maioria, no segundo turno. Desde que acompanho a política, apenas duas vezes a disputa foi encerrada de forma antecipada. A primeira ocorreu em 1998, quando a batalha foi interna, nas convenções do PMDB. Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão duelaram pela liderança do partido. Maranhão saiu vencedor e, no pleito, superou com facilidade Gilvan Freire. A segunda foi em 2018, quando João Azevedo foi eleito no primeiro turno, embalado pelo prestígio de Ricardo Coutinho. Naquele ano, a oposição fracassou em se consolidar. Lucélio Cartaxo, principal adversário, não conseguiu enfrentar a força política do então ex-governador.
O cenário de 2026 é muito diferente. A Paraíba já não conta com nomes de forte apelo popular, como Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho. A política estadual foi tomada por caciques do centrão: figuras sem carisma, mas com fartos recursos de emendas parlamentares. O governador João Azevedo, que já teve dificuldade para se reeleger, não tem lastro suficiente para transferir votos a um sucessor. O tempo em que seu prestígio poderia decidir uma eleição já passou.
Nesse ambiente, surge novamente o nome de Cícero Lucena. Prefeito reeleito de João Pessoa em 2024, mesmo em meio aos episódios delicados ocorridos em pleno período eleitoral, ele representa a velha política que insiste em se reinventar. Cícero é, sem dúvida, o candidato do passado.
Desde 2018, o bolsonarismo se firmou como força política real na Paraíba, especialmente nas regiões metropolitanas. Teve bons resultados em 2020, 2022 e 2024. Com isso, o Partido Liberal ganhou protagonismo e deve ter papel decisivo em 2026.
Até agora, três candidaturas se desenham para a corrida ao Palácio da Redenção: Cícero Lucena, que aposta em sua longa trajetória, mas carrega o peso de ser visto como figura do passado; Lucas Ribeiro, herdeiro natural de João Azevedo, mas sem carisma e densidade eleitoral, cuja viabilidade depende do quanto conseguirá colar sua imagem à do atual governador; e Efraim Filho, eleito senador em 2022 contra todas as previsões, que tornou-se um quadro em ascensão. Com apoio do bolsonarismo, simboliza o futuro e representa a possibilidade de uma alternância segura de poder no estado.
A eleição de 2026 tende a ser um duelo entre três símbolos: o passado, encarnado por Cícero Lucena; o futuro, representado por Efraim Filho; e a incógnita, personificada por Lucas Ribeiro. A Paraíba, mais uma vez, terá de escolher entre reviver velhas práticas, apostar na continuidade sem brilho ou arriscar uma alternância que pode abrir um novo ciclo político.
Por fim, Michelle Bolsonaro, principal liderança feminina do Brasil, avalizou pessoalmente as nossas pré-candidaturas ao governo e ao Senado Federal, uma sinalização clara para o eleitorado feminino, que responde por 53% do total de eleitores da Paraíba.
O Partido Liberal, nesse contexto, enxerga no senador Efraim Filho a melhor opção para o estado. É um político capacitado que tem despontado no Senado como liderança respeitada, com diálogo nacional e compromisso com a modernização do Brasil. Assim, surge como a alternativa mais consistente para colocar a Paraíba no rumo certo, capaz de unir inovação, responsabilidade fiscal e desenvolvimento social. Não há dúvida de que, em 2026, teremos novamente eleições disputadas voto a voto — e dessa vez, a escolha definirá se a Paraíba seguirá presa ao passado ou ousará construir um novo futuro.
Marcelo Queiroga
Ex-ministro da Saúde
Presidente do PL-PB"
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.