Brasília foi palco, no último dia 12 de agosto, de um encontro onde passado e futuro se entrelaçaram. O IV Fórum Mundial Niemeyer, realizado no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, reuniu juristas, diplomatas, políticos e intelectuais para refletirem sobre os desafios contemporâneos da humanidade.
Entre os conferencistas, destacou-se o acadêmico Hugo Napoleão, ex-governador, ex-ministro de Estado e membro da Academia Piauiense de Letras. Em sua conferência sobre Humanidades e Política Internacional, ele conduziu a plateia por uma ampla travessia histórica, que começou no funeral de Charles de Gaulle, em 1970, e alcançou os dilemas éticos e geopolíticos da era da inteligência artificial. Com erudição, soube entrelaçar episódios pessoais, fatos políticos e avanços tecnológicos, proporcionando não apenas informação, mas uma autêntica experiência de viagem no tempo, atravessando séculos de transformações que moldaram a trajetória da humanidade.
Quanto às relações internacionais, Hugo Napoleão destacou que seu interesse nasceu de uma tradição familiar. Filho, neto e bisneto de diplomatas, lembrou que seu pai, Aluízio Napoleão, primeiro embaixador brasileiro em Pequim, ficou desde 1975 na abertura da Embaixada do Brasil na China e permaneceu no cargo até 1981. Seu pai ingressou no Itamaraty por concurso, ao lado de nomes como Roberto Campos e Jaime Souza-Gomes, pai do embaixador João Carlos.
Hugo Napoleão ressaltou que a educação é o eixo que sustenta o progresso das nações. Citou a Alemanha e a Coreia do Sul como exemplos de países que, após guerras devastadoras, conseguiram alcançar prosperidade e liderança industrial por meio do ensino. Lembrou também que programas de cooperação no continente americano, como a Operação Pan-Americana de Juscelino Kubitschek, tiveram resultados limitados pela ausência de prioridade à educação.
O conferencista analisou ainda os avanços da ciência, da nanotecnologia ao estudo do DNA, e a forma como cada descoberta altera a vida humana, exigindo responsabilidade e reflexão ética. Recordou o impacto da pandemia da Covid-19 no mundo jurídico, quando audiências e julgamentos passaram a ser realizados virtualmente, inaugurando uma nova realidade de trabalho.
Nas relações internacionais, destacou a guerra da Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e na África, a escalada de tensões comerciais promovida por Donald Trump e os desafios da crise climática. Reforçou que, mesmo em um cenário de instabilidade, a diplomacia continua sendo a ponte possível para a construção de consensos.
O Fórum, idealizado por Paulo Niemeyer, neto do arquiteto Oscar Niemeyer, consolidou-se como espaço de diálogo entre direito, cultura, diplomacia e política. A conferência de Hugo Napoleão foi recebida como um registro de memória histórica aliado a uma visão de futuro, reafirmando que a educação é a chave para o desenvolvimento da humanidade.
Assim concluiu o acadêmico, citando os gauleses: ainsi va le monde.
Hugo Napoleão do Rêgo Neto é um advogado e político brasileiro radicado no Piauí. Duas vezes senador, três vezes deputado federal, três vezes ministro de Estado e por dois mandatos alternados foi governador do referido estado. Atualmente é filiado ao Partido Social Democrático (PSD) e pertence à Academia Piauiense de Letras (APL).
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consultor no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.