O presidente da Câmara, Hugo Motta, abriu as comportas da Corregedoria e lançou às águas do Conselho de Ética 15 nomes, 14 da oposição e uma voz dissonante do próprio campo governista, envolvidos no motim que sacudiu o plenário nos dias 5 e 6. A medida, votada pela Mesa Diretora, é mais que um ato administrativo. É um recado de que o chão de mármore do Congresso também conhece a aspereza da desordem.
A lista não é tímida. Do PL de Jair Bolsonaro ao Novo de Van Hattem, passando pelo PT de Camila Jara, há deputados acusados de tomar a Mesa Diretora como trincheira, bloquear a retomada dos trabalhos e transformar o coração do Legislativo em palco de empurrões, gritos e transmissões ao vivo. Há quem tenha levado criança de colo à refrega, quem tenha entoado hinos e quem tenha acusado adversários de crimes de ocasião.
A Mesa, em nota, afirma que tudo seguirá o rito, com análise da Corregedoria, exame das imagens, retorno à própria Mesa e, por fim, julgamento no Conselho de Ética. Mas a política, essa senhora que não dorme, já especula o que será de cada nome quando o martelo for batido.
O episódio, digno de crônica parlamentar, expõe uma verdade antiga. O poder, quando sitiado, não distingue ideologia. Apenas reage para preservar a própria autoridade.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista, memorialista e Editor Sênior do portal Coluna Política, com mais de 25 anos de atuação na imprensa e na análise institucional. Foi consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, protagonizou a Consulta 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e impulsionou a Emenda Constitucional nº 52/2006, fortalecendo a autonomia partidária no Brasil. Sua contribuição está registrada na 27ª edição do Direito Constitucional Esquematizado (Editora Saraiva), de Pedro Lenza.