Na capital do país, onde vivem mais de dois milhões de eleitores e 54,5% desse total são mulheres, o Agosto Lilás chega em meio a um cenário que escancara a urgência no enfrentamento da violência de gênero. Dados do Ministério das Mulheres mostram que, em 2024, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, registrou 23.148 atendimentos no Distrito Federal, um aumento de 37,1% em relação ao ano anterior, quando foram computados 16.875.
As denúncias também cresceram. Foram 2.923 registros neste ano, contra 2.723 em 2023. Desse total, 2.612 chegaram por telefone e 228 via WhatsApp. A maioria das denúncias partiu das próprias vítimas, totalizando 1.805. As demais 1.117 foram feitas por terceiros. A residência da vítima continua sendo o principal local onde a violência ocorre. Foram 1.111 ocorrências nesse cenário, além de 964 em casas compartilhadas com o agressor.
A rotina de agressões diárias ainda é uma realidade para muitas mulheres no DF. Em 1.309 atendimentos, foi relatado que a violência acontecia todos os dias. Outras 504 vítimas afirmaram sofrer agressões de forma ocasional. A faixa etária com maior número de denúncias está entre 40 e 44 anos, com 411 registros. Mulheres pretas e pardas representam a maioria das vítimas, somando 1.768 casos.
Segundo o Ministério das Mulheres, o aumento nos atendimentos está relacionado à maior confiança das vítimas no serviço. O Ligue 180 passou por uma reestruturação desde o ano passado com o relançamento do Programa Mulher Viver sem Violência. Houve qualificação das equipes e ampliação do canal de atendimento via WhatsApp, o que contribuiu para maior eficácia no acolhimento e nas denúncias.
A campanha do Agosto Lilás destaca o lilás como uma cor simbolicamente associada às mulheres e à luta contra a violência de gênero. Prevista na Lei 14448, sancionada em setembro de 2022, a iniciativa tem como objetivo promover ações de conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra as mulheres em todo o país. O projeto que deu origem à lei, o PL 3855 de 2020, é de autoria da deputada Carla Dickson do União do Rio Grande do Norte e foi relatado pela ex-senadora Nilda Gondim do MDB da Paraíba. O texto foi aprovado no Senado em agosto de 2022.
O mês de agosto também é dedicado à divulgação da Lei Maria da Penha, Lei 11340, sancionada em agosto de 2006, considerada um marco na legislação brasileira de combate à violência doméstica e familiar.
No centro político do país, o DF se transforma em termômetro e vitrine das estatísticas nacionais. O aumento dos casos na capital reforça o alerta: é preciso ampliar a rede de proteção e garantir que o lilás ultrapasse o simbolismo e produza mudanças reais na vida das mulheres.