image
Coluna Política

Plano Safra ou Plano Salgado: o agro calcula a conta dos juros

Ronaldo Nóbrega  -   13 de julho de 2025

O governo anunciou com pompa o Plano Safra 2025/26. Discurso pronto, cifras vistosas, promessas em série. Mas quem semeia e colhe fez outra leitura. Para Pedro Lupion, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o que o governo chama de recorde é, na verdade, um peso. R$ 58 bilhões de juros. Esse é o número que se impõe. Não em crédito. Em custo.

A análise, feita diante dos jornalistas em coletiva no início deste mês, foi precisa como a lâmina que separa o discurso do fato. Os juros aplicados aos financiamentos rurais foram elevados em até dois pontos percentuais. As taxas agora oscilam entre 0,5% e 8% para a agricultura familiar, e entre 8,5% e 14% para a empresarial. A retórica oficial atribui o aumento à escalada da Selic, mas evita dizer o por que da escalada.

Lupion não evita. Lembra que a Selic não sobe por capricho. Sobe porque o governo gasta sem cortar, promete sem calcular, arrecada sem planejamento. O descontrole fiscal do Executivo, diz ele, é o adubo da inflação e o veneno do crédito. Juros altos não nascem do nada. São filhos legítimos da desconfiança.

O parlamentar vai além. Com recursos mais caros e menos disponíveis, o setor hesita. E quando o produtor hesita, o país sente. Menos investimento. Menos plantio. Menos produção. Mais risco. E mais custos no prato do brasileiro.

Entre a bravata do anúncio e a realidade do campo, há um fosso cavado por decisões econômicas mal arrumadas. A conta que chega ao produtor não se escreve com tinta verde-amarela. Vem marcada a vermelho. E a juros compostos. Porque não há Plano Safra que resista a um país que colhe populismo e planta desequilíbrio.

 

Posicione sua marca no centro das decisões: anuncie na Coluna Política e alcance formadores de opinião, autoridades e líderes de todo o Brasil.