Com Trump ressuscitando seu protecionismo clássico e impondo uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, o governo Lula já mexeu as peças no tabuleiro. A ordem no Itamaraty e na ApexBrasil é clara: abrir novos mercados e fortalecer os já existentes. A China, como sempre, está no centro da estratégia.
Na primeira quinzena de maio, enquanto o governo americano ainda afiava suas medidas tarifárias, o Brasil fez um movimento calculado em direção a Pequim. Durante o seminário Diálogos Brasil-China para Segurança Alimentar, Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destacou uma avaliação que tem circulado nos bastidores do Planalto: o Brasil vive um momento único de proximidade estratégica com a China.
O evento, realizado em parceria com o Ministério da Agricultura, reuniu lideranças políticas e empresariais chinesas, todas interessadas nas ofertas brasileiras em proteína animal e segurança alimentar. Um dado repetido com ênfase por Viana ajuda a dimensionar o cenário. O Brasil é responsável por 25% das importações agrícolas da China, que somam 215 bilhões de dólares por ano.
Nas palavras de um interlocutor do Planalto, Trump fechou a janela. Xi Jinping abriu a porta da frente. O governo Lula sabe que o jogo comercial com os Estados Unidos será turbulento. Por isso, aposta alto na estabilidade e previsibilidade que a parceria com os chineses oferece.
Em mais um passo estratégico para consolidar a presença da carne bovina brasileira no mercado chinês, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) já preparam mais uma etapa do projeto The Beef and Road: Bridging the Brazil-China Beef Route.