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EXPRESSO

Lula em modo avião: governo perdido num mundo de Big Data

Ronaldo Nóbrega  -   6 de julho de 2025

O problema não está nos bancos, no IOF ou no mercado. O verdadeiro colapso é epistemológico. Está no Planalto, onde a incapacidade de compreender e acessar o fluxo massivo de informações que estrutura a sociedade digital transformou a Presidência em um palco sem roteiro. Em tempos de Big Data, algoritmos, inteligência artificial e microtargeting, o governo insiste em slogans. Acredita que gritar resolve o que exige silêncio e análise.

O mundo mudou, mas o marketing do palácio ainda opera como se estivesse nos anos 1980. Não existe estratégia de comunicação que sobreviva à ignorância sobre o que realmente molda a opinião pública. A ausência de dados confiáveis, de inteligência de rede, de capacidade analítica e de leitura de comportamento digital representa o verdadeiro vácuo da gestão. Não se governa um país continental como o Brasil com base em manchetes na internet e bordões de palanque.

O final do semestre de 2025 escancarou essa desconexão. Sem rumo, sem narrativa e com a popularidade em queda livre, Lula fabricou um inimigo genérico para tentar reviver um enredo ultrapassado: os bancos. Os mesmos bancos que financiam campanhas, que operam o sistema nacional de pagamentos, que lucram com os juros definidos no tabuleiro macroeconômico que o próprio governo alimenta. Sob a batuta de Sidônio Palmeira, a velha fórmula reaparece: vilanizar, polarizar, distrair.

Não é novidade. Getúlio culpava as elites entreguistas. Jango evocava as forças reacionárias. Lula tenta reeditar o “nós contra eles” com menos intensidade, menos carisma e, sobretudo, menos plateia.

Enquanto o Pix falha, a Previdência cobra indevidamente aposentados e o governo ignora os sinais, o Congresso entrega um presente involuntário: o IOF. Um imposto confuso e impopular vira munição de palanque. Lula sobe, aponta o dedo e elege os de sempre. Bancos. Bilionários. Apostas online. Tudo que rende manchete fácil e meme no Instagram.

Mas o Brasil mudou. A plateia agora é algoritmizada. O público vive em filtros, bolhas, fragmentos. Há bolsonaristas, lulistas e céticos. A batalha já não é apenas ideológica. É informacional. E o Planalto está perdendo essa guerra porque ainda não compreendeu o campo de batalha.

A encenação continua. Mas, desta vez, talvez não haja aplausos. Porque o eleitor já percebeu: quem não entende os dados, perde o país.