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Coluna Política

Portus sai do purgatório, mas ainda não está no paraíso

  -   5 de julho de 2025

Especialidade nacional: manter instituições no limbo. Algumas nascem natimortas. Outras, como o fundo de previdência Portus, atravessam décadas em coma induzido. Depois de quase 14 anos de intervenção federal, um longo velório administrativo iniciado em 2011, uma nova fase se inicia com a posse da diretoria provisória no fim de junho, no Rio de Janeiro.

Sócrates Vieira Chaves assumiu como diretor-presidente interino. Nome de filósofo, missão de zelador de ruínas: recuperar um fundo que, em 2016, acumulava um rombo de R$ 3,8 bilhões. A reviravolta só começou em fevereiro de 2025, com a assinatura do Termo de Conciliação nº 1/2025. Um alívio tardio, mas necessário, permitindo ao Portus retomar minimamente sua capacidade de gestão e de pagar os benefícios que são sua razão de existir.

A cerimônia (no fim de junho) teve tudo que o protocolo exige, com representantes da Previc, Ministério da Previdência e Ministério de Portos e Aeroportos. Discursos otimistas, sorrisos ensaiados, promessas de reconstrução institucional. Muito bem. Mas quem conhece o enredo sabe que a tragédia nunca está muito longe do palco.

O novo ciclo será, ou deveria ser, acompanhado de perto pelos órgãos de regulação. Não para bater palmas, mas para cobrar responsabilidade, transparência e, sobretudo, governança. O Portus não precisa de heróis. Precisa de gente séria. Se conseguir sair do purgatório, já será um feito. O paraíso, esse, continua reservado para os discursos.