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Coluna Política

Sozinha no front, Marina levanta a voz que o poder quis apagar

RM   -   28 de maio de 2025

Na floresta política de Brasília, nem sempre a devastação vem com motosserra. Às vezes, basta o silêncio institucional — frio, calculado, ensurdecedor. E foi esse silêncio que cercou Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente, na audiência pública desta terça-feira (27/5), na Comissão de Infraestrutura do Senado.

Marina não foi apenas confrontada. Foi isolada. Abandonada por aliados. Cercada por parlamentares que a trataram não como autoridade de Estado, mas como alvo fácil de uma lógica misógina que ainda resiste em Brasília. Ninguém do governo ousou defendê-la. Nenhuma mobilização da base governista. Nenhum gesto público do Planalto. Apenas o eco da omissão.

Mas Marina permaneceu. Firme. Altiva. Sozinha, sim — mas não calada. Encarou um plenário hostil sem recuar um centímetro de seus princípios. E ali, naquela cadeira, cercada por lobos, não era só uma ministra que resistia. Era uma mulher. Uma brasileira negra que ousou ascender ao coração do poder e, mesmo traída pelo silêncio dos seus, não abaixou os olhos.

Marina é, há décadas, uma referência internacional da luta ambiental. Mas seu valor vai além da pauta verde. Ela é símbolo de algo que Brasília parece esquecer: que mulheres não ocupam o poder para serem decorativas — mas para transformá-lo. E por isso são combatidas com tanto fervor.