A Coluna Política abre espaço para publicar o contundente artigo de Alek Maracajá, intitulado “A Política Está Morrendo. E o Culpado Tem Nome: Algoritmo”, um alerta necessário sobre os riscos da digitalização extrema do debate público.
No texto, Alek Maracajá convida à reflexão sobre como as plataformas digitais, movidas por algoritmos de engajamento, vêm sufocando a essência da política: o confronto de ideias, o diálogo e a deliberação coletiva. Ele aponta como, ao priorizarem o que viraliza em detrimento do que informa, essas tecnologias passaram de ferramentas de expressão a vetores de polarização e manipulação emocional.
Inspirado por obras como Big Tech: A Ascensão dos Dados e a Morte da Política, de Evgeny Morozov, e por sua própria experiência como autor de Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política, Alek Maracajá lança um olhar crítico sobre o fenômeno do solucionismo tecnológico e seus efeitos corrosivos para a democracia.
"O algoritmo não debate, ele decide. E quando os dados tomam o lugar do diálogo, a democracia perde a voz." Essa é a tônica de uma análise que vai além da crítica às redes sociais — é um chamado ao resgate da política como projeto coletivo e espaço de construção de sentido.
A Coluna Política reafirma, com essa publicação, seu compromisso com o pluralismo, a análise de qualidade e o espaço para ideias que provoquem, confrontem e inspirem. Porque enquanto houver espaço para o pensamento crítico, a política — ainda que ameaçada — segue viva.
Leia o artigo completo e compartilhe esse debate necessário.
A Política Está Morrendo. E o Culpado Tem Nome: Algoritmo
Por Alek Maracajá
A política, que um dia se fez no calor da praça pública e no embate de ideias, hoje agoniza diante da frieza dos dados. A digitalização trouxe alcance e velocidade, mas também entregou a mediação do debate a plataformas que priorizam engajamento, não argumentação.
É nesse cenário que o livro Big Tech: A Ascensão dos Dados e a Morte da Política, de Evgeny Morozov, se torna leitura essencial. Ele denuncia o solucionismo tecnológico, a falsa ideia de que problemas sociais podem ser resolvidos apenas com dados e eficiência. Ao aplicar essa lógica à política, criamos um paradoxo perigoso: o debate democrático é substituído por decisões algorítmicas, rápidas e opacas.
O algoritmo não debate, ele decide. E quando os dados tomam o lugar do diálogo, a democracia perde a voz.
No Brasil, a situação é ainda mais grave. A polarização digital criou bolhas ideológicas alimentadas por sistemas que recompensam a radicalização. A disputa por atenção virou espetáculo. E o ódio, infelizmente, engaja mais do que propostas.
Na lógica das plataformas, o que viraliza não é o que é verdadeiro, mas o que te mantém indignado.
Em minha obra Brasil Digital nas Entrelinhas da Polarização Política, mostro como as redes deixaram de ser ferramentas de expressão e viraram campos de manipulação emocional. A desinformação não é acidente, é estratégia.
A política não pode ser reduzida a cliques e curtidas. Quem governa pela métrica abdica do projeto e abraça o espetáculo.
Precisamos urgentemente recolocar a política no centro. Regular plataformas, sim. Mas, acima de tudo, resgatar o valor do debate público, com divergência, humanidade e responsabilidade.