image
Coluna Política

O efeito Damares: Candidatura pode desmontar alianças e reerguer a Direita no DF

redacao@colunapolitica.com.br  -   20 de abril de 2025

A possível candidatura da senadora Damares Alves (Republicanos) ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026 já provoca abalos nas estruturas partidárias e acende alertas no Palácio do Buriti. Com trajetória nacionalmente conhecida e forte apelo entre os conservadores, Damares não apenas se apresenta como uma alternativa de peso na disputa local — ela ameaça reconfigurar por completo a engrenagem política da direita brasiliense.

Nos bastidores, o movimento é visto como um “efeito dominó” de grandes proporções. Caso confirme sua pré-candidatura, Damares enfraquece diretamente o plano de sucessão do governador Ibaneis Rocha (MDB), que costura nos bastidores a candidatura da vice-governadora Celina Leão (PP), enquanto busca viabilizar sua própria corrida ao Senado. A equação, que parecia encaminhada, agora é posta em xeque.

Damares chega com trunfos raros: prestígio entre evangélicos, conexão direta com o eleitorado bolsonarista e um nome com projeção nacional. Além disso, possui um ativo estratégico que preocupa adversários — o primeiro suplente em sua chapa ao Senado é Manoel Arruda, presidente do União Brasil no DF. Essa configuração pode gerar uma colisão de interesses dentro da própria legenda, embaralhando alianças antes dadas como certas.

Fontes próximas ao Buriti afirmam que o próprio Ibaneis já foi alertado sobre o risco de perder apoio dentro do bloco, caso Damares avance em articulações para uma chapa majoritária. E há um fator que pode desequilibrar de vez a balança: rumores cada vez mais consistentes apontam para uma possível aliança entre Damares e Michelle Bolsonaro (PL). Se a ex-primeira-dama confirmar candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e compuser palanque com Damares, o gesto teria impacto sísmico.

Mais do que simbólica, essa união poderia consolidar um bloco conservador imbatível no DF, com potencial para atrair o apoio oficial do PL à chapa encabeçada por Damares, inclusive indicando o nome do vice. A manobra desmontaria alianças tradicionais, isolaria Celina Leão e colocaria Ibaneis diante de um impasse: manter o projeto de sucessão ou recuar frente à força do novo polo de poder.

O “efeito Damares” transcende a candidatura. Representa uma possível inflexão na direita brasiliense, hoje fragmentada entre interesses locais e nomes com densidade eleitoral. Se conseguir unir as forças conservadoras sob um único palanque, Damares não apenas entra na disputa: ela a redefine.