Coluna Política

Quaest: 19% se dizem lulistas; 21% direita não bolsonarista supera 12% bolsonaristas

Ronaldo Nóbrega  -   16 de fevereiro de 2026

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O recorte ideológico da pesquisa Quaest revela um país menos monolítico do que o barulho das redes sociais sugere.

À esquerda, 19% se identificam como lulistas, enquanto 14% se dizem de esquerda, mas não lulistas. O dado indica que a liderança de Lula ainda organiza o campo progressista, mas não o monopoliza. Há um contingente relevante que se posiciona no espectro, porém busca identidade própria, fora da órbita direta do presidente.

À direita, o movimento é igualmente revelador. 21% se declaram direita não bolsonarista, contra 12% que assumem identidade bolsonarista. O número sugere que o conservadorismo brasileiro hoje é mais amplo do que o bolsonarismo e pode estar em processo de redefinição.

O quadro aponta para dois fenômenos paralelos. A esquerda convive com uma divisão entre lealdade histórica e renovação. A direita demonstra que o capital político de Jair Bolsonaro não esgota o campo conservador. Em ambos os lados, há disputa por hegemonia interna.

O mapa que emerge não é de polarização simples, mas de fragmentação estratégica. Lideranças que pretendam consolidar maioria terão de compreender que seus próprios campos já não são territórios homogêneos.

A pesquisa foi realizada entre 5 e 9 de fevereiro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país e margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento ouviu brasileiros com 16 anos ou mais e tem nível de confiança de 95%, com dados baseados em TSE, PNAD e Censo.

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