Coluna Política

Infraestrutura sustenta projeto ao Senado

Ronaldo Nóbrega  -   14 de fevereiro de 2026

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Brasília adora um suspense político, mas neste caso o enredo é direto. Ibaneis Rocha é pré-candidato ao Senado em 2026. Não está fazendo jogo de cena. Está fazendo cálculo. E, no Brasil, cálculo eleitoral sem obra costuma ser delírio.

Para entender a decisão, é preciso sair do ar condicionado e olhar para o subterrâneo da cidade. Santa Luzia, na Estrutural, virou laboratório político. Ali estão sendo investidos R$ 100 milhões em saneamento integrado. Água tratada, esgoto coletado, drenagem, pavimentação. Mais de 20 mil pessoas afetadas diretamente. Parece pouco glamouroso? Justamente por isso é politicamente relevante.

Brasília tem mania de inaugurar viaduto e esquecer esgoto. Ibaneis fez o caminho inverso. Apostou no básico. E o básico, num país desigual, é transformação silenciosa. A operação passa pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, que financia e executa redes de água, esgoto e sistemas de tratamento. Não é retórica social. É engenharia pesada.

Os números ajudam a explicar o movimento rumo ao Senado. O Distrito Federal já alcança 99% de cobertura de água e 93% de esgoto. A Tarifa Social ampliada atende 270 mil pessoas com desconto de 50%. O Programa Água Legal regularizou quase 10 mil ligações clandestinas. Há investimentos de R$ 200 milhões em novos sistemas hídricos e um contrato de R$ 100 milhões para reduzir perdas e substituir 550 mil hidrômetros. Até a Moody’s concedeu nota máxima AAA.br à estatal. Em política, selo internacional vira argumento doméstico.

O Senado não é extensão do gabinete do governador. É arena de poder federativo, palco de disputas fiscais e institucionais. Para chegar lá, é preciso apresentar credenciais. Ibaneis aposta que saneamento é credencial. Pode soar prosaico, mas no Brasil o prosaico ainda é revolucionário.

No fundo, a pré-candidatura é um recado simples: gestão gera capital político. Se a equação fecha nas urnas, veremos em 2026. Até lá, o eleitor decide se prefere discurso ornamental ou água limpa na torneira. No Brasil, essa escolha continua decisiva.

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