No LIDE Brazil Development Forum, em Washington, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, procurou projetar Brasília como um caso de sucesso em gestão de infraestrutura. Com a confiança de quem tem números para mostrar, falou em R$ 5 bilhões aplicados desde 2019 em saneamento e integração de sistemas de abastecimento de água. Garantiu que, com esse esforço, a capital brasileira terá segurança hídrica pelos próximos 50 anos.
Foi uma mensagem construída para um público internacional. O BRB, banco estatal local, saltou de menos de 700 mil para quase 10 milhões de clientes e hoje ocupa a segunda posição no financiamento imobiliário nacional. A Caesb, responsável pelo saneamento, conseguiu aprovar linhas de crédito externas junto ao BID e ao banco alemão KfW. A Neoenergia, que assumiu a distribuição de energia após a privatização da CEB, injeta cerca de R$ 300 milhões por ano no DF. O pacote de resultados foi apresentado como evidência de uma estratégia de investimentos capaz de unir estatais reestruturadas, capital privado e organismos multilaterais.
Ainda assim, Ibaneis não escondeu o desafio natural. Lembrou que Brasília está no coração do cerrado, com uma estiagem que se prolonga por cerca de 150 dias todos os anos. A crise hídrica de 2016 e 2017 expôs os riscos da falta de planejamento e segue como lembrança incômoda. “Saneamento é investimento de Estado, não de governo”, disse, em defesa de políticas de longo prazo.
Ao lado de técnicos de sua equipe, o governador visitou a sede do Banco Interamericano em busca de novos financiamentos. A viagem deixou claro o objetivo: apresentar Brasília não apenas como centro da política, mas como vitrine de gestão e destino confiável para capital estrangeiro.
O discurso é ambicioso e funciona bem para um fórum internacional. A dúvida, como sempre, é se a promessa de 50 anos de tranquilidade sobreviverá à realidade climática e urbana de uma cidade que cresce no limite de seus recursos.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.
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