Em 2006, Cássio Cunha Lima garantiu sua reeleição contra José Maranhão, embalado por um manifesto que pregava o voto casado em Lula e Cássio, o famoso “Lula lá e Cássio cá”. O episódio marcou uma aliança improvável que redesenhou o cenário político da Paraíba.
Vinte anos depois, o replay. Lula continua sendo o maestro da orquestra. E quem surge para o dueto é Cícero Lucena. Enquanto isso, João Azevêdo, que deveria estar no manche, perdeu o rumo. É o piloto que não sabe pilotar.
Aqui em Brasília, o Planalto se mexeu rápido: assessores correram para avisar Lula que Cícero anunciou sua saída da federação União Progressista. A nota oficial, divulgada nesta sexta-feira, 5 de setembro de 2025, selou a jogada. Cícero é, oficialmente, pré-candidato ao governo da Paraíba em 2026.
O “O voo sem comandante na política paraibana”, já registrado nesta coluna, nunca coube tão bem. Cícero, livre da União Progressista e com o carimbo de Lula, tem tudo para reassumir a cabine. O atual ocupante do Palácio da Redenção não consegue levantar bandeira e tende a virar mero figurante em uma guerra política com favas contadas. Lula, que sabe ler uma biruta de aeroporto, mudou de direção com o vento e agora aponta para Cícero Lucena.
Cícero no comando da aeronave e o governador Azevêdo reduzido a passageiro de segunda classe. Interessante notar que, desta vez, não será preciso manifesto assinado por “comitê suprapartidário”. O PT-PB não terá dificuldade para criar o jingle político: Lula lá, Cícero cá.
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Ronaldo Nóbrega é jornalista e memorialista, com quase três décadas de atuação na imprensa e na análise institucional. Aos 16 anos, emancipou-se para ingressar no mercado de comunicação, iniciando sua trajetória no jornal A Hora, no Nordeste. Em Brasília, atuou como consulente no Tribunal Superior Eleitoral por 12 anos. Em 2005, teve papel de destaque na Consulta nº 1.185, que contestou a Regra da Verticalização e resultou na Emenda Constitucional nº 52/2006, marco que consolidou a autonomia partidária no Brasil.
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