Na beira de uma estrada poeirenta em Caetité, Bahia, uma senhora de cabelos grisalhos estica a antena parabólica com um ar de desespero contido. Ela não sabe que o sinal que sustenta sua única janela para o mundo vai desaparecer. Isso porque, no último dia 30 de junho, encerrou-se, sem alarde, o prazo para que famílias de baixa renda, inscritas no Cadastro Único, solicitassem gratuitamente a nova antena parabólica digital. Ninguém ligou. Ninguém avisou. Só sumiu. E enquanto ela se pergunta por que a TV apagou de vez, em Brasília, as manchetes estampam que o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) está em alta histórica.
US$ 3,32 bilhões em investimentos estrangeiros, R$ 34,6 bilhões injetados no setor em 2024. Um salto de 6,5% no capital externo, expansão veloz da rede 5G, fibra óptica rasgando o solo nordestino. Os dados brilham. Os ministros sorriem. E a realidade segue muda para os que nunca tiveram voz.
O programa Siga Antenado, criado como contrapartida social do leilão do 5G, prometia democratizar o acesso à TV digital para os mais pobres.
Agora, só é possível encontrar no site da EAF a informação de que os agendamentos não serão mais aceitos. O silêncio como política pública.
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