O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua rede social, a Truth Social, para comentar o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Segundo Trump, o único julgamento legítimo seria nas urnas. Para ele, “deixem Bolsonaro em paz”. É uma manifestação política, de tom emocional, vinda de um aliado ideológico.
Trump sustenta que o Brasil está tratando mal o ex-presidente, que lideraria as pesquisas eleitorais, e denuncia o que chama de “caça às bruxas”. Mais do que uma fala isolada, a declaração se insere em um contexto de discursos que buscam deslegitimar instituições, atribuindo perseguição a decisões judiciais. Ele ainda afirmou que Bolsonaro “não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”.
O julgamento em questão decorre de uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro e outros integrantes de seu governo, por suposta articulação golpista. A fase atual do processo está nas alegações finais, e o julgamento propriamente dito pode ocorrer entre agosto e setembro.
Os acusados negaram, em depoimentos à Primeira Turma do STF, qualquer envolvimento em tentativa de ruptura institucional. O processo está sendo conduzido dentro do trâmite previsto, e a Justiça brasileira busca, ao menos em tese, manter o equilíbrio entre as garantias processuais e o enfrentamento de condutas que atentem contra a democracia.
As declarações de Trump não alteram o curso do processo, mas reacendem o debate sobre a politização dos julgamentos e os limites entre solidariedade política e ingerência internacional. Em tempos de forte polarização, a linha entre opinião e pressão pública torna-se cada vez mais tênue.

