21 de abril de 2018

INSOLENTES LEGENDAS CLIENTELISTAS


por Mario Benisti e Lúcia Guerra

Segundo historiadores, uma das causas do conflito político/ideológico que ora permeia o Brasil – com a falta de credibilidade da população nos atuais partidos - prende-se ao fato da queda do muro de Berlim. Algo até justificável, porém questionável em função da bipolarização que se estabelece: só existiam no país – e em todo o mundo – apenas a direita e a esquerda? Evidente que não. O Brasil, até 27.10.1965 – um ano e meio após o golpe ou quartelada de 1964 - ainda era uma democracia pluripartidária, extinta naquela data com a criação do bipartidarismo (Arena e MDB), após a derrota nas eleições de 03.10.1965 da UDN, apoiada pelos Militares, nos principais estados.

Partidos de grandes tradições - a maioria de centro - porém menores que a UDN e PSD, foram extintos como o PSB, PTB; PSC; PR... O fato deixou na orfandade toda uma classe política emergente, que não concordava com a extremada UDN (sucedida pela ARENA) nem com o PSD, onde se agrupavam as velhas oligarquias herdeiras da política do café com leite. Neste período, grandes figuras que se preparavam para ocupar espaços na política nacional foram atrofiadas, abandonaram a vida pública, ou se “misturaram” a uma “colcha de retalhos” que descaracterizou as ideologias e seus programas, passando a vigorar apenas duas opções: abrigarem-se na Arena ou MDB.

Durante quinze anos – até o fim do AI-5 (1978) - com apenas dois partidos, o Brasil sofreu um atraso político de grandes proporções. A dicotomia do pró ou contra o regime rotulado de “revolucionário”, impediu a criação de um ambiente de discussão democrática, onde se originassem ideias diferentes e inclusivas na vida pública. Porém, com o fim deste período, o governo de transição do Presidente José Sarney convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para as eleições de 1986. E no ano de 1985, mais de vinte legendas tinham seu registro no TSE, inclusive os proscritos depois da redemocratização de 1945, PCB e PCdoB.

Diante de um novo quadro, ressurgiu o PDC - Partido Democrata Cristão, que havia sido criado em 1945, inspirado no Partido Democrata Cristão da Alemanha e da Itália, que reconstruíram estas duas grandes nações, após a segunda grande hecatombe do século XX. O Brasil já considerado uma nação Cristã, das maiores do planeta, tinha uma agremiação partidária voltada para filosofia do Cristianismo, mesmo apesar da Igreja Católica não se manifestar sobre sua participação na política partidária.

Na década dos anos 50 e início dos anos 60, o PDC revelou em seus quadros, grandes lideranças de expressão nacional como o ex-presidente Jânio Quadros, ex-governador Carvalho Pinto; ex-governador Franco Montoro... Mas, a legenda foi atropelada pelos fatos já relatados ocorridos em 1964. Em sua refundação (1985) assumiu a sua presidência o ex-senador Goiano Mauro Borges, que trocou o PMDB pelo PDC. Nas eleições para Prefeitos das Capitais (1985), surge José Maria Eymael disputando a Prefeitura de São Paulo. Não obtendo êxito na empreitada, Eymael no ano seguinte (1986) disputa uma vaga para a Câmara dos Deputados com vistas a participar da assembleia constituinte de 1988. Eleito com votação expressiva, Eymael teve um dos melhores desempenhos na construção da Constituição Cidadã, onde apresentou e aprovou mais de 150 artigos, leis, parágrafos e incisos. Sua efetiva participação destacou o PDC, que nas eleições de 1990, que deu um grande salto, elegendo 03 Governadores, 03 Senadores; 18 Deputados Federais; 515 Prefeitos e 2.160 Vereadores.


A grande pergunta – sem resposta convincente – é por que a Igreja Católica não apoia, ou se integra ao DC? O PT, alicerçado no extinto PCB e apoiado pelo PCdoB – ateus e contra o cristianismo - conta com apoio de seguimentos importantes de centenas de Padres, líderes de diversas pastorais, inclusive um Arcebispo que domingo (08.04.2018) celebrou uma Missa para Lula fazer proselitismo de sua ideologia, onde durante 55 minutos fez uma homilia à parte, sem mencionar o motivo da celebração. Não se referiu à Igreja, muito menos à manifestação de sua fé Cristã. 

Por que o Presidente José Maria Eymael não procura “oxigenar” o DC dentro de uma visão mais pragmática, envolvendo setores carismáticos da Igreja como a Canção Nova e seus ídolos Padres Marcelo Rossi, Fábio de Melo; Deputada Myrian Rios dentre tanto outros? 

O PRB é uma sigla da Igreja Universal, que cresce bastante e inclusive apresenta como candidato à Presidência da República, o empresário Flávio Rocha.

Diante de todas as desordens e escândalos surgidos a partir do mensalão, petrolão - atos insolentes clientelistas e criminosos - investigados por dezenas de outras operações da Polícia Federal, o PSDC (hoje DC) é uma das poucas legendas que não foi contaminada por este processo de degeneração, movida pela corrupção partidária e seus representantes. Permanece limpo como seu Presidente José Maria Eymael. Tem uma oportunidade no momento de conquistar a credibilidade de uma fatia dos 96% da população, que não acredita em nenhuma das siglas partidárias envolvidas com a corrupção. Todavia, se faz necessário dá um passo de ousadia em busca de nomes, nova concepção no formato da comunicação e atrair, sobretudo, a juventude, literalmente descrente do processo político democrático que o país precisa consolidar em nome de seu futuro.

por Mario Benisti e Lúcia Guerra
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