Jornalista Júnior Gurgel ironiza as manifestações contra a Câmara Municipal de Campina Grande(PB)


Na opinião do jornalista Júnior Gurgel, em mais um artigo polêmico, é uma hipocrisia as manifestações contra a Câmara Municipal de Campina Grande(PB), que vota o aumento dos salários dos pares daquela Casa Legislativa, e implanta o décimo terceiro salário para os Vereadores campinenses.

Coluna Política reproduz artigo do jornalista, Júnior Gurgel:

“IMPOSTORES

As manifestações (in) populares, promovidas por um punhado de baderneiros frente à Câmara Municipal de Campina Grande - exibindo falsa e inexistente cidadania consciente – questionando com veemência o aumento salarial do Legislativo Mirim da Rainha da Borborema, não passou de um ato de vandalismos - ilustrado com encenações grosseiras - representadas por “atores” medíocres, tentando interpretar uma reação popular. Pelos vídeos postados nas redes sociais, ninguém da “trupe” tinha a cara de “povão”. Estiveram ali os “pelegos” de sempre (escalado pelos Sindicatos) e os “sinecuristas de plantão”, tentando se acomodarem no “velho cabide”. Alguns neófitos estreantes no mundo político, também engrossaram o destoante “coro”, à procura de uma prebenda (boquinha) atividade comum no setor público, que criou o vício da ociosidade remunerada.

O povão que elegeu toda a bancada da Casa Félix Araújo, se sente bem pago pela sua atividade “cívica” de ter ido até uma urna, e cravar seu voto naquele que o ajudou com tijolos, telhas; cimento; três recibos de água e luz atrasados; quitação do IPTU; emplacamento de veículos e motos; carteiras de habilitações... Fora os “clientes” permanentes da área de Saúde e Jurídica: divórcios, pensões e habeas corpus. Nenhum voto para Vereador foi gratuito. Todos foram pagos de uma forma ou de outra. Mesmo quem não recebeu no período, ganhou uma promessa ou esperança de um emprego.

A prática vem desde que os Vereadores voltaram a ser remunerados, no final dos anos setenta, século passado. Antigamente, mesmo com este “modus operandi”, uma ou duas vagas da Câmara Municipal de Campina Grande era reservada aos bons profissionais da mídia (Rádio e TV), que desfrutassem de grande audiência. Da velha guarda, lembro-me de Ari Rodrigues. Depois vieram Evilásio, José Cláudio; o companheiro Marcos Marinho... Até um Deputado Estadual foi eleito (1986) só em Campina Grande e através dos microfones da Rádio Caturité: saudoso Leonel Medeiros. Nas eleições de outubro último, o grande comunicador Abílio José, com mais de quinze anos ininterruptos frente às Câmeras da TV Borborema, não conseguiu sufrágios suficientes para ocupar uma das cadeiras do Parlamento Campinense.

Os tempos não mudaram, mudou o eleitor, que a cada dia se torna mais analfabeto, quando o assunto é eleição e política. Desprezam por completo sua escolha no nome de quem o representará. Optam pela venda do seu voto, ou o troca por favores, o que dá no mesmo.

É irritante ouvir diariamente desta gente (impostores midiáticos) críticas ou comportamento hipócrita ao comentarem o quotidiano dos membros dos Legislativos Mirim, Estadual e Federal: “não fazem nada e ganham rios de dinheiro”. Todos sem exceção são meros repassadores de tudo que recebem. Tentem ser Vereador por um dia! Amanheçam com a casa cheia, onde tem que aparecer dinheiro para resolver as mais diversas demandas trazidas pelos “eleitores fiéis”. Durante quatro anos de mandato, o Vereador atende no mínimo cinco vezes por ano, pedido dos seus “guerreiros” da primeira hora. Isto, sem se levar em conta, as “lideranças” ou “cabos eleitorais”, que tem o custo de manutenção semelhante a um casamento, onde só um dos cônjuges trabalha: no caso, o Parlamentar.

Não há nada de errado no aumento salarial de Vereadores, Deputados Estaduais; Federais e Senadores. Manter-se em seus cargos (hoje empregos) requer bastante dinheiro para alimentar uma alcateia de lobos eternamente famintos.

O erro incorrigível está no sistema, onde o voto é obrigatório, contrariando a ampla liberdade que nos assegura a Constituição. Outro paradoxo é a punição por compra de votos. O sufrágio secreto e universal hoje é vendido, e não mais comprado. O político que compra votos é corrupto, o eleitor que o vende não é? Qual o eleitor que foi punido por vender seu voto? Por que o Ministério Público Eleitoral não denuncia os “vendedores de votos”? A lei que pune o corrupto criminaliza também o corruptor. Quem é o mais corrupto nos dias de hoje? O candidato ou o eleitor?

Ah! Antes que esqueça: falta “cojones” no Presidente da Câmara Municipal de Campina Grande e na maioria de seus membros. Estão exercendo o seu papel de Legisladores... O que os impede de aumentarem seus salários e implantarem o décimo terceiro? O Judiciário não escuta ninguém quando usa de suas “prerrogativas”. Por que o Legislativo tem que ouvi-lo e consultá-lo? Quanto ao povo? Não estão nem aí... Se não faltar dinheiro, todos os atuais Vereadores serão reconduzidos em 2020. Chega de lirismo! Quem muda é o povo, e pelo visto, não querem mudar. Tudo continuará como d’antes, no quartel do Abrantes.” 

Júnior Gurgel (foto) – É jornalista, radialista e memorialista. Colabora com diversos veículos de imprensa, inclusive com a imprensa alternativa.


22/12/2016