#ColunaPolítica 26/06/2016

Decisão do Reino Unido de deixar União Europeia repercute na Câmara

Os britânicos tomaram na última quinta-feira (23/6) a decisão histórica de se separarem da União Europeia (UE) o bloco político e econômico que hoje congrega 28 países e do qual o Reino Unido faz parte desde 1973. O processo ainda precisa passar pelo parlamento, mas um veto pelos legisladores britânicos é considerado difícil.
Com os votos dos 382 distritos do Reino Unido apurados, a opção por deixar a União Europeia venceu por 51,9% a 48,1%.
Para o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), primeiro vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a economia mundial já dá sinais de que será profundamente abalada pela decisão dos britânicos.
Nas horas seguintes após o anúncio do resultado da votação, a libra esterlina chegou ao menor valor em relação ao dólar em 31 anos e as bolsas asiáticas amanheceram o dia em baixa. "Mas a economia mundial se abala, pode correr o risco de um efeito dominó. País a país fazer plebiscito e que prevaleça o interesse nacional de metade da população mais um", relatou o deputado.

Para Hauly, a vitória de um pensamento mais nacionalista também deve impactar na política de imigração do Reino Unido.
Protecionismo
Avaliação semelhante faz a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), também integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
"Se já era grave a crise, decisões que poderão ser tomadas pelo Reino Unido em relação ao protecionismo, em relação a fechar suas fronteiras para possível imigração, refugiados que chegam aos milhões no continente europeu, isso vai levar a uma tensão muito grande interna e a uma desorganização econômica maior do que qualquer situação que nós já vivenciamos", alertou.
O processo de saída do Reino Unido da União Europeia passa, ainda, por votação no parlamento britânico e no europeu e pode levar até dois anos.
A consulta popular registrou índice histórico de comparecimento - 72,2% do eleitorado - e recorde de 46,5 milhões de eleitores registrados.
O premiê conservador, David Cameron, principal fiador do voto pró-UE, anunciou que irá renunciar ao cargo.
Cameron tentou acalmar o mercado financeiro e também os 3 milhões de imigrantes europeus que vivem no Reino Unido, garantindo que não haverá mudanças imediatas.
Fonte: Ag. Câmara.